domingo, 12 de abril de 2015

A RELIGIÃO DO NOVO MUNDO: ESTÃO CRIANDO UMA RELIGIÃO ÚNICA MUNDIAL?



Seria possível uma religião única mundial? Veja neste artigo como esta ideia vem sendo propagada por autoridades políticas como um suposto meio de combater o terrorismo, autoridades estas com um passado suspeito e sombrio. Veja ainda como o esquema problema-reação-solução é utilizado neste contexto.

Há algum tempo, podemos ver como o poder de decisão política e econômica tem sido usurpado tanto dos cidadãos como das nações e tem sido transferido às organizações globais multilaterais.

Da mesma forma, há sinais que indicam que eles estão trabalhando também em uma globalização da religião e na criação do que poderia ser classificada como "uma autoridade política mundial que controla a espiritualidade do mundo".

O sinal mais evidente disto aconteceu no último mês de setembro, quando o ex-presidente de Israel, Shimon Peres, se reuniu com o Papa para propor a formação de uma nova "ONU das religiões", comandada pelo Papa. Peres sugeriu que esta organização deveria exercer uma autoridade "inquestionável" que lhe permitiria proclamar " o que Deus quer e o que não quer", com o objetivo de combater o extremismo religioso.

As implicações desta ideia são enormes
84% da população mundial possui uma fé espiritual de algum tipo.

Se juntarmos as religiões cristã, muçulmana, hindu e budista, encontramos que são seguidas por mais de 5,3 bilhões de pessoas, e uma mistura de diversas crenças populares e credos minoritários menores, desde Baha'i à Wicca, que representam quase meio bilhão de pessoas.

Se, como tudo indica, a espiritualidade desempenha um papel central na vida da maior parte da população mundial, é lógico deduzir que um "governo mundial", deverá ter em conta a religião, de forma inevitável.

Muitos teóricos da conspiração vêm advertindo há décadas o nascimento de uma "Religião Mundial" que surgiria como parte de uma "Nova Ordem Mundial".

É possível que pessoas poderosas das elites mundiais busquem conseguir algum tipo de controle hegemônico sobre as crenças espirituais do mundo para influenciar as religiões e seus seguidores através de uma autoridade central?

Isto significaria seguir um modelo semelhante da globalização econômica, política e comercial, agora estendido ao campo da espiritualidade.

São realmente nobres as intenções dos que estão vendendo esta ideia?

Um exame mais detalhado do assunto sugere que dentro deste projeto se escondem elementos altamente suspeitos, que fazem parte de uma agenda muito mais ampla com consequências nefastas.

O plano para uma autoridade religiosa mundial

Antes de sua reunião em setembro com o Papa para discutir a formação de uma "ONU das religiões", Shimon Peres detalhou suas ideias em uma entrevista com a revista católica italiana Famiglia Cristiana:

"O que é necessário é uma Organização das Religiões, uma ONU das religiões.  Seria a melhor maneira de combater estes terroristas que matam em nome da fé. No passado, a maioria das guerras foram motivadas pela ideia de nação. Hoje, no entanto, as guerras são desatadas especialmente com sob o disfarce da religião".



Já existem iniciativas inter-religiosas globais, tais como a Iniciativa das Religiões Unidas, mas evidentemente Peres prevê uma "Organização das Religiões Unidas" construída de cima a baixo que concentre em si muito mais poder e autoridade, de forma centralizada:

"É necessário uma autoridade moral inquestionável que diga com voz forte: 'Não, Deus não quer isto e não permite'".

Peres sugeriu que o Papa deveria ser essa autoridade, porque segundo ele: "é talvez o único líder religioso que é respeitado verdadeiramente".

O Papa se mostrou favorável a ele, mas não tomou nenhuma "decisão ou compromisso pessoal", e isso continua a ser visto se finalmente este novo órgão se materializa ou não.



Cabe destacar que Peres não é a primeira alta figura política que defende esta abordagem.

A fundação de caridade do ex primeiro ministro britânico Tony Blair, "Faith Foundation" centraliza seus esforços na "fé e na globalização".



Em janeiro de 2014, Blair escreveu um ensaio amplamente republicado indicando os objetivos de sua fundação:

"... O propósito é mudar a política dos governos: começar a tratar este temo do extremismo religioso como um item que trata tanto de religião como de política; atacar a raiz do assunto do extremismo, que promulga uma falsa visão da religião. O objetivo é que se torne um ponto importante na agenda dos líderes mundiais, para que colaborem eficazmente para combater este extremismo. Esta é uma luta que somente está começando".

Como Peres, Blair argumenta que o extremismo religioso é a causa principal dos conflitos no mundo atual e sustenta que os líderes mundiais devem se unir para enfrentar. E também, como fez Peres, afirma que uma autoridade política deve ter a faculdade de determinar quais pontos de vista religiosos são "falsos" ou "certos".



Blair, também solicitou o apoio do Vaticano, que congrega a maior parte de seguidores a nível mundial.

No entanto, apesar de ser um católico recentemente convertido, Blair não teve muito êxito quando fez propostas ao Vaticano em 2011, e um proeminente erudito católico, o professor Michel Schooyans, chegou a declarar que acreditava que Blair tinha objetivos sinistros:

"Um dos objetivos da Faith Foundation de Tony Blair, era de reformar as principais religiões de uma forma paralela a que seu colega Barack Obama reformou a sociedade global. Com esta finalidade, a fundação em questão, tratará de ampliar os "novos direitos", utilizando as religiões do mundo para este fim e adotar à elas novas funções. As religiões teriam que ser reduzidas a um mesmo denominador comum, o que significaria esvaziar a sua identidade...

Michel Schooyans


“Este projeto ameaça a nos levar à uma época em que ao poder era atribuído a missão de promover uma confissão religiosa, ou de mudá-la. No caso da fundação de Tony Blair, isto gira em torno de promover uma única denominação religiosa que anda de mãos dadas com um poder político global, que seria imposto ao mundo inteiro".

Ver como Blair tenta fazer o mundo crer que o extremismo religioso é a causa fundamental dos conflitos globais atuais, enquanto ao mesmo tempo justifica seu papel enganoso na invasão do Iraque e pede uma intervenção militar mais direta no Oriente Médio, apenas pode provocar indignação e descrença.


Dada sua falta de credibilidade como defensor da paz, não é surpreendente que tenha sido apartado desta função e que acabaremos vendo outro líder mundial jubilado pressionando o Vaticano para criar uma autoridade religiosa global.

É o caso de Shimon Peres, que se ajusta muito melhor na tarefa de criar as bases para essa entidade religiosa global, pois, diferente de Blair, não possui uma imagem tão agressiva e soube se transformar aos olhos da opinião pública em um pretenso pacificador em seus últimos anos no cargo, onde sempre pareceu muito mais conciliador em comparação com seus compatriotas sionistas da linha mais dura.



Francisco, que surgiu como um ás de relações públicas da Igreja e foi nomeado "Homem do Ano" para a revista TIME, também tem a credibilidade e a autoridade moral para começar uma iniciativa deste tipo, um fato que Peres parece ser muito mais consciente.

Conhecidos, pois, os autores principais até o momento, a pergunta chave é: Se trata de uma iniciativa autêntica de promover a paz mundial, ou esconde algo mais?







Alguns defensores inquestionáveis

Apesar de suas diferenças superficiais, o argumento central que oferecem Peres e Blair é o mesmo:

"O extremismo religioso é o responsável pelos conflitos atuais e uma autoridade política mundial deve exercer controle sobre todas as religiões".

Embora a violência por motivos religiosos, sobretudo no mundo islâmico, é sem dúvida um problema importante, este argumento é extremamente enganoso e fraudulento, porque ignora a mão oculta que inflama este problema e que trabalha ativamente para sustentá-lo.

O fato é que a causa principal da explosão da violência extremista no Oriente Médio, tem a sido a destrutiva política exterior dos governos da OTAN e de seus aliados.



A invasão do Iraque, que Blair co-dirigiu, se baseou em mentiras descaradas sobre a existência de armas de destruição em massa no país. A guerra causou a morte de um milhão de pessoas, destruiu seu governo, seu exército e suas infraestruturas. O caos resultante permitiu que os extremistas religiosos devastassem a região, primeiro sob o selo da Al Qaeda no Iraque (que não tinha presença no país antes da guerra) e agora através do autoproclamado Estado Islâmico, antes conhecido como ISIS.

Embora agora seja visto como um "defensor da paz", Peres também tem um passado repleto de pontos obscuros, entre eles poder-se-ia incluir estar 
associado com crimes de guerra e de atuar como um importante arquiteto do programa secreto de armas nucleares de Israel.

É segredo público que Israel possui um arsenal nuclear e outras armas de destruição em massa não revelada. Israel começou seu programa secreto de armas nucleares na década de 1950, roubando segredos nucleares e material de muitos países, inclusive do EUA.

O produtor de Hollywood, Arnon Milchan, se gaba de que Peres o recrutou como espião israelense e contrabandista de uma boate de Tel-Aviv em 1965, para impulsionar este programa nuclear.



Em meados dos anos 70, Israel tentou vender armas nucleares ao apartheid da África do Sul. Os documentos obtidos pelo The Guardian e publicados em 2010, revelam que em 1975, Shimon Peres, então ministro de Defesa de Israel, estava em negociações discretas com seu homólogo sul-africano e se ofereceu para vender armas nucleares "em três tamanhos diferentes".

Como podemos ver, tanto Blair como Peres tem vínculos ocultos com armas de destruição em massa.

Vê-se que agora convocam o mundo para uma globalização religiosa, que supostamente "promoverá a paz mundial", devemos nos perguntar: realmente podemos confiar em pessoas com um passado tão sujo e obscuro?

Uma Falsa Premissa



Os argumentos de Blair e Peres também ignoram deliberadamente como a política exterior do governo dos EUA e seus aliados tem fomentado o extremismo islâmico desde os anos 70, quando a CIA financiou e armou os Muyahidines  no Afeganistão para expulsar os soviéticos, uma tática que deu lugar à criação dos talibãs e da Al Qaeda.

Em uma linha semelhante, a atual política exterior do governo dos EUA e seus aliados 
criaram o ISIS e tem lançado bases para sua rápida expansão.

Após destruir o exército e o governo do Iraque, a OTAN dirigiu sua atenção à Líbia e a bombardeou até torná-la em um estado falido, enquanto apoiava os rebeldes jihadistas para derrotarem Gaddafi.



Curiosamente, ambos os países, antes da intervenção da OTAN, tinham governos laicos que mantinham distante o extremismo religioso.

Quando a Líbia caiu, os combatentes jihadistas e seus armamentos começaram a inundar a Síria, outro governo secular que o EUA também tentou derrotar.

De fato, atualmente, na Líbia, o ISIS está sendo dirigido por um rebelde que na época recebeu o apoio da OTAN para derrotar Gaddafi.

Já o ISIS, agora autodenominado Estado Islâmico, cruzou a fronteira com a Síria no Iraque em 2014, e o país devastado pela guerra não pode impedir a incursão.

Na Síria, onde a guerra civil continua fazendo estragos, o governo do EUA e seus aliados têm armado e treinado os chamados rebeldes "moderados" para derrubar o governo de Assad, apesar de que estes rebeldes têm vínculos evidentes com os jihadistas.

Muitas destas armas e combatentes financiados pelo governo do EUA terminaram recrutados pelo ISIS, que estranhamente, também luta contra Assad.



Também há  relatos recentes que informam que o governo iraquiano prendeu assessores dos EUA e Israel que ajudavam diretamente os terroristas islâmicos.

O que estamos vendo é um evidente jogo geopolítico duplo por parte dos EUA e de Israel.

E tudo segue um padrão pré-estabelecido.

Todos os regimes ameaçados por esta política exterior dos EUA, OTAN e Israel, são governos seculares e submersos na guerra e o caos somente favorece o surgimento de grupos extremistas como o Estado Islâmico, cujo aumento se vê reforçado ainda mais pelos ataques aéreos estrangeiros ou os ataques com aviões não tripulados que inevitavelmente matam civis e causam indignação entre a população local, que em resposta, passa a ser recrutada.

Ao mesmo tempo, estes extremistas "acidentalmente" recebem os benefícios do financiamento e as armas proporcionadas pelo governo do EUA e seus aliados.


Assim, é obvio que se alguém quiser terminar com o extremismo religioso, o lógico seria mudar esta política exterior tão destrutiva por parte do Ocidente, não?

FONTE:  Onbloggers

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