sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Barack Obama é “o guerreiro prometido” vindo para ajudar o desconhecido imã dos muçulmanos xiitas (anticristo) para conquistar o mundo?



Por Amir Taheri*

Essa pergunta vem sendo feito no Irã desde há muito tempo, quando um website pró-governo publicou uma Hadith (tradição) de um texto xiita do século 17. Essa tradição vem de Bahar al-Anvar (que significa Oceanos de Luz), escrito por Mulá Majlisi, uma obra de 132 volumes e a base do islamismo xiita moderno. 

Segundo a tradição, Imã Ali Ibn Abi-Talib (primo e genro do profeta) profetizou que no fim dos tempos e justo antes do regresso do Madi (o “último salvador”), “um homem alto e preto assumiria as rédeas do governo no Oeste (Ocidente), “comandando o mais poderoso exército da terra.” Esse novo soberano do Oeste (Ocidente) traria ”um claro sinal” do terceiro imã, cujo nome foi "Hussein" Ibn Ali. A tradição conclui que “… os xiitas não devem ter dúvida de que ele é com nós”.

Em uma curiosa coincidência o primeiro e segundo nomes – Barack Obama Hussein – significa “a bênção de Hussein” em árabe e persa. Seu nome de família, Obama, escrito no alfabeto persa, ler-se “Ba Ma”, que significa “ele é conosco” – a fórmula mágica na tradição de Majlisi.

Razões místicas à parte, os Khomeinistas vêm à ascensão de Obama como um sinal do declínio de Ocidente e o triunfo do islamismo. A promessa de Obama de buscar conversações incondicionais com o Irã é citada como evidência de que os Estados Unidos estão prontos para admitir a derrota. A posição de Obama poderia ajudar a revogar as três resoluções aprovadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas que prevêm as condições que o Irã deve encontrar para evitar sanções. Para os Khomeinistas a “busca de conversações incondicionais também significa uma admissão da equivalência moral entre os Estados Unidos e a República Islâmica do Irã”. Essa reviravolta política poria um fim na descrição – feita pelos Estados Unidos – do Irã como um regime “violador sistemático de direitos humanos”.

Obama ignorou reclamações e denúncias realizadas por todas as administrações de Estados Unidos nos últimos 30 anos, afirmando que o “Irã é um estado patrocinador de terrorismo”. Em vez disso, ele usa o termo “grupos violentos” para descrever armas e equipamentos financiados pelo Irã para abastecer grupos terroristas como o Hamas e Hezbollah, por exemplo.


Obama também prometeu assistir uma conferência da Organização Islâmica nos 100 primeiros dias da sua presidência. Essa atitude agradaria os mulãs, que sempre têm exigido que o Islã, seja tratado diferentemente, e que as nações muçulmanas atuem em bloco, como uma coligação política em relação às nações infiéis.

A companhia de Ahmadinejad “baseava-se na sua firmeza de resistência ao grande satã americano”; e segundo seus assessores “…esse foi um dos fatores que ajudou Obama a derrotar conservadores como Hillary Clinton e John McCain”.

“O ex-presidente Ahmadinejad ensinou aos americanos uma lição,” diz Hassan Abbasi, um assessor estratégico do presidente iraniano. “É por isso que eles escolheram alguém que entenda o poder de Irã. Obama chegou mesmo a copiar o slogan usado por Ahmadinejad há quatro anos: ’Sim, Podemos’”.

Os Khomeinistas “preferem” Obama e consideravam John McCain “um inimigo do Islã”. O porta voz do Ministério do Exterior iraniano disse que seu país “…não deseja ditar escolhas aos americanos, mas que Obama era a melhor escolha para todo o mundo”. Ali Larijani, porta voz do Majlis Islâmico (Parlamento iraniano) resumiu essa questão afirmando que “… a República Islâmica do Irã preferiu ver Barack Obama na Casa Branca“.

A inclinação de Teerã por Obama é refletida diariamente nos meios de comunicação oficiais. E essa preferência aumentou consideravelmente depois que o senador de Illinois escolheu Joseph Biden como seu vice-presidente. Biden foi um dos primeiros a apoiar publicamente a revolução Khomeinista em 1978-1979 e, nos últimos 30 anos foi um consistente advogado na defesa do Irã como um poder regional. Ele possui estreitos laços com os Khomeinistas e é um dos lobistas nos Estados Unidos que trabalha e sempre votou contra sanções ao Irã.

O ex-presidente Ahmadinejad descreveu os Estados Unidos como “um ocaso” (ofuli), poder contrário ao Islã que ele diz ser ‘um levantar do sol’ (toluee). No verão passado, ele inaugurou uma conferência internacional denominada o “Mundo sem a América, realizada por antiamericanos de todo o mundo, inclusive os Estados Unidos”.

Visto de Teerã, a eleição de Obama desmoralizou as forças armadas dos Estados Unidos, pondo em dúvida suas vitórias no Iraque e o Afeganistão, de fato as transformando em derrota. A retirada americana do Oriente Médio sob o comando de Obama permitiria ao Irã continuar trabalhando para a hegemonia da região son seu poder e controle. Teerã está especialmente interessada no Iraque e na consolidação de uma nova posição que estende seu poder em direção ao Mediterrâneo, envolvendo a Síria e o Líbano num primeiro momento.

Durante a conferência “o mundo sem a América”, vários oradores afirmaram acreditar que Obama mostraria “compreensão de ofensas muçulmanas quanto à Palestina. Ahmadinejad esperava persuadir o futuro Presidente Obama a adotar “a solução iraniana para Palestina, que consiste na criação de um Estado único no qual os Judeus ficariam rapidamente uma minoria”.

Julgando por evidências anedóticas e o zumbido entre bloggers iranianos, enquanto os governantes Khomeinistss favorecem Obama, a maioria dos iranianos consideram o candidato Democrata como um sinal de pacificar dos mulãs. Hoje o Irã e Israel são os únicos países no Oriente Médio onde os Estados Unidos permanecem populares. Uma presidência de Obama, percebida como amistosa pelo regime opressivo no Teerã pode modificar isto. 

* Amir Taheri, jornalista e escritor iraniano. Seu mais novo livro é ”Persian Night: Iran Under the Khomeinist Revolution” – Noite Persa: O Irã sob a revolução Khomeinista.

Fonte: http://frankherles.wordpress.com/2008/11/03/barack-obama-e-%E2%80%9Co-guerreiro-prometido%E2%80%9D-vindo-para-ajudar-o-desconhecido-ima-dos-muculmanos-xiitas-para-conquistar-o-mundo/ 

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